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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

AMIGOS






Ser Amigo,É entender a energia inicial Abrir as portas do coraçãoDeixar entrar e fluir esse novo gás,para alimentar o caminho que o acaso forjou...É dar forma e corpo ao sentimento,amaciar o coração, fomentar ainda mais a boa energia!É adoçar a vida... compartilhar da alegria multiplicando-a e da dor, diminuindo-a.A todo custo!


Ser AMIGO,É aceitar o outro na sua totalidade:De forma inteira, íntegra. Sem disfarces.Com todos os defeitos,todas as diferenças e todas as virtudes!É não querer mudá-lo mas ensinar-lhe ocaminho da mudança, quando necessária eessencial, alertando-o para os desvios de percursoÉ entender o seu silêncio e acompanhá-lo mudo,nessa hora, até que uma palavra mágicarasgue as entranhas desse silêncio,e devolva a alegria, de poderem sorrir juntos...

Ser AMIGO,É promover juntos, a gestação da paz compartilhar do nascimento dessa luz branca que abrandaas tristezas e as intempéries e faz brotar a felicidade!...É ajudar a pintar a estrada com o verde da esperança, pegando na mão do outro e desenhando juntos o destino É poder dourar esse destino...É construir a presença mesmo à distância.Ser o lenço que enxuga o suor e devolve a cor.É promover o encontro e dissolver os seus obstáculos...




Ser AMIGO,Não é só compreender, ter compaixão e perdoar mas advertir, alertar, e apenas alertar,deixando que as coisas se processem natural e espontaneamente...É acompanhar até o fim, na trajetória da vida.É estar presente, e ser presente. Sempre... E, se possível,atravessar as barreirasdo tempoe da vida,e um dia,poder reencontrar atodosna eternidade...




sexta-feira, 13 de julho de 2007

Sentimentos........


"Os sentimentos e qualidades dos homens reuniram-se todos num lugar da terra. Depois de esperarem um pouco e nada fazerem, o Aborrecimento, pela terceira vez, reclamou o não ter nada para fazer.Então a Loucura, louca como sempre, propôs:

- Vamos brincar às escondidas?
A Intriga levantou a sobrancelha, intrigada… a Curiosidade, sem se conseguir controlar, perguntou:

- Às escondidas?Como é isso?
- É um jogo – explicou a Loucura– em que eu fecho os olhos e conto até um milhão enquanto todos vocês se escondem. Quando eu terminar, procurarei um a um e o primeiro que eu encontrar, ficará a contar no próximo jogo.
O Entusiasmo dançou seguido pela Euforia. A Alegria deu tantos saltos que acabou por convencer e Dúvida e até mesmo a Apatia que nunca se interessava por nada.Mas nem todos quiseram participar. A Verdade preferiu não se esconder. Para quê se no final todos a encontravam? O Orgulho disse que o jogo era muito parvo (no fundo o que a incomodava era que a ideia não tivesse sido dele). Quanto à Cobardia, preferiu não se arriscar…

- Um, dois, três, quatro…
A Loucura começou então a contar. A primeira que se escondeu foi a Pressa que, como sempre, caiu atrás da primeira pedra do caminho. A Fé subiu ao céu. A Inveja escondeu-se atrás da sombra do Triunfo que com o seu próprio esforço tinha conseguido subir até ao topo da árvore mais alta. A Generosidade quase não se conseguiu esconder porque cada local que ela encontrava parecia Maravilhoso para alguns de seus amigos. Se era um lago cristalino, era ideal para a Beleza. Se era a copa de uma árvore, seria ideal para a Timidez. Se era o voo de uma borboleta seria ideal para a Sensualidade. Se era uma rajada de vento seria ideal para a Liberdade. E assim acabou por se esconder num raio de sol. O Egoísmo ao contrário, encontrou um bom lugar desde o início. Ventilado e cómodo, mas apenas para ele. A Mentira escondeu-se no fundo do oceano (mentira, na verdade escondeu-se atrás do arco-íris). A Paixão e o Desejo no centro de um vulcão. O Esquecimento, não me recordo onde se esconde, mas, isso não é o mais importante…

Quando a Loucura estava já em 999.999, o Amor ainda não tinha encontrado um local para se esconder, pois todos já estavam ocupados. Encontrou por fim uma roseira e carinhosamente decidiu se esconder no meio de suas flores.
Um milhão – contou a Loucura e começou à procura. A primeira a aparecer foi a Pressa apenas a dois passos de uma pedra. Depois escutou-se a Fé discutindo com Deus, no céu sobre zoologia. Sentiu vibrar a Paixão e o Desejo nos vulcões. Num descuido encontrou a Inveja, e claro, pode deduzir onde estava o Triunfo. O Egoísmo, não teve nem que procurar. Ele saiu sozinho em disparadas do seu esconderijo, que na verdade era um ninho de vespas. De tanto caminhar sentiu sede, e ao se aproximar de um lago descobriu a Beleza. A Dúvida foi mais fácil ainda, pois encontrou-a sentada numa cerca sem saber de que lado se esconder. E assim foi encontrando a todos. O Talento sobre a erva fresca, a Angústia numa cova escura, a Mentira atrás do arco-íris (mentira, estava no fundo do oceano) e até o Esquecimento, que já se tinha esquecido que estava a jogar às escondidas.

Apenas o Amor não havia meio de aparecer. A Loucura, procurou atrás de cada árvore, em baixo de cada rocha de planeta, e em cima das montanhas. Quando estava a ponto de dar-se por vencida, o Egoísmo disse-lhe que procurasse no roseiral. A Loucura começou então a ficar louca e pegou numa enxada com a qual movia os ramos. De repente, numa das vezes em que a enxada espetava os ramos, escutou-se um doloroso grito. De entre as rosas surgiu o Amor sangrando dos olhos… Os espinhos tinham-no ferido nos olhos e a Loucura estava completamente louca, sem saber o que fazer…

A Loucura chorou, rezou, implorou, pediu perdão e até prometeu ser o seu guia. Desde então, desde que pela primeira vez se brincou às escondidas o Amor é cego e anda de mãos dadas com a Loucura…"